Lost in Translation

Bob and Charlotte

(Vou fingir por um minuto que não tenho nada melhor pra fazer — como arrumar malas, por exemplo — pra poder enviar um post que tou com vontade de fazer desde que o blog começou.) 8D

Não falo japonês e apesar de entender hiragana / katakana, sei que isso não basta pra se virar. Sem contar que meu limitado vocabulário de pseudo-otaku não vale quase nada; do que adianta saber o que é corrente” (kizuna), “céu estrelado” (hoshizora) ou dragão (dá radúqui ryu) se não consigo perguntar onde fica o banheiro? ú___ù

Estudar mais formalmente a língua está nos meus planos há uns 10 anos 8D Problema é arrumar tempo pra isso entre minhas obrigações e hobbies..

Mas apesar de toda a lógica, essa não foi a razão de ter escolhido esse nome pra meu blog.

LOST IN TRANSLATION (que aqui no Brasil ganhou o vergonhoso título genérico “Encontros e Desencontros”) é, para mim, o mais lindo filme de Sofia Coppola (filha do Francis Ford e diretora de As Virgens Suicidas e meu querido Maria Antonieta).

O filme, não por acaso, passa-se no Japão, e acompanha a visão de dois estrangeiros de passagem por Tokyo; Charlotte, a esposa de um fotógrafo workaholic (Scarlet Johansson, excelente e linda como sempre) e Bob Harris, um astro decadente de cinema (Bill Murray, ator do meu ♥ , numa interpretação nada menos que genial e que marcou sua ressureição na indústria de cinema como astro de filmes independentes).

A única coisa que os dois tem em comum é serem estrangeiros perdidos num lugar cuja cultura é completamente estranha; a incapacidade de se comunicarem no idioma local é o que basta para uni-los numa improvável amizade.

Falar mais que isso é estragar o filme. Até porque não há muito o que se falar sobre a trama: Bob e Charlotte contemplam Tokyo, às vezes boquiabertos, às vezes desacreditados; e a cidade é palco de suas conversas sobre suas vidas ou aleatoriedades.

Não  é um filme de aventura ou comédia. Existem momentos engraçados (às vezes, hilários), mas a aventura aqui é o confronto com a solidão e que os obriga a refletir sobre coisas que  normalmente evitariam. Dois mundos tão diferentes que se tocam e que fazem com que um se enxergue pelos olhos do outro.

É um filme sutil, delicado, e ao contrário do que muitos pensam sobre cinema independente, passa longe de ser chato. E sempre vale nem que seja pela bela fotografia do Japão e seus contrastes entre passado e futuro, tradição e modernidade (como diz o clichê), através dos olhos confusos e abismados dos dois ocidentais.

O que mais gosto no título é que ele também tem uma sutileza; embora o sentido mais óbvio seja “Perdido na Tradução”, também entendo como Perdido na Translação — a translação da Terra, que faz com que dois desconhecidos  fiquem tão próximos, enquanto ficam mais distantes das  pessoas que deveriam estar ao seu lado e com quem dividem suas vidas (Bob com sua esposa, e Charlotte com seu marido).

Adoro esse filme, que pra mim é referência de “estrangeiros descobrindo o Japão”. A identificação rola por algumas semelhanças que dá pra ver se forçar a barra (assim como Charlotte e Bob, eu e Marcelo também temos diferença de idade, e nos conhecemos por causa da cultura japonesa, apesar das circunstâncias, claro, serem diferentes). Agora, vamos dividir a experiência de estarmos lá, juntos; e quem sabe até, tomando certa distância do cotidiano, não tenho um ou outro insight também.

Nenhum nome  podia ser mais apropriado pra esse blog.

(Só tive que registrar o nome usando zeros  no lugar dos OOs porque um fideumaéguadisgramenta alguém já tinha registrado lostintranslation.wordpress. E diga-se de passagem, nunca postou nada *rancor*).

Mas, como já devem ter percebido, a única razão para eu ter feito esse post mesmo é dizer: assistam Encontros e Desencontros Lost in Translation, pois vale cada minuto!

Para quem quiser saber mais, aqui vãos duas críticas sobre o filme que acho excelentes:

Cine Repórter Review: Encontros e Desencontros (Lost in Translation)

Cinema em Cena Review: Encontros e Desencontros (Lost in Translation)

E agora deixa eu ir lá arrumar as malas, porque é amanhã. *calafrios*

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3 Respostas to “Lost in Translation”

  1. Alik Says:

    Ah, eu já tive a oportunidade de ver esse filme umas 3 vezes, e cadê que eu vi? >: Agora, com a dica, pintou uma vontade! <: Mas bem.. Malas, mocinha! o_ó9

  2. Wiseman Says:

    Bom, pelo menos agora vc vai saber perguntar aonde é o banheiro : “otearai wa doko da ?!” (esse é o jeito mais fácil ! ) xD

    Beijos, e boa viageeeem !

  3. Kitkat Says:

    Na verdade, é melhor perguntar “Otearai wa doko desu ka?”
    As pessoas podem reagir mal com esse “doko da”, hehe!
    Abraços!

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